quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

The Climb

São Caetano, Agosto de 2011 - Já faz alguns dias que não falo com você meu querido Angel. Muitas coisas aconteceram, e como dizem, “águas não voltam ao mesmo rio”, estou rumo ao Mar.
 Confesso que tenho encontrado muitas novidades, algumas muito boas, outras que deixam aquele nó na garganta. Aquela sensação de que diante dos meus olhos está um caminho. Ao olhar para trás, observo toda minha história, lutas que travou comigo mesmo e com as dificuldades até ali encontradas. Pude ver que ao longo do caminho percorrido, pessoas vieram e ficaram juntas a mim, por apenas poucos momentos, e mesmo assim significam uma ótima fonte de segurança e porto-seguro. Outras, porém, caminhamos juntos, do começo até o momento em que uma nova amiga lhe apresenta o novo caminho.
É um tanto quanto difícil ainda saber quem é esta misteriosa amiga, se que podemos assim chamá-la. Vejo-me tão pequeno próximo a esta figura que o rosto está envolto em uma espécie de faixa, e pouco posso ver além é claro dos seus olhos. Seus olhos tão atraentes passam tanta confiança.  Ela me explica que a minha frente está um caminho novo, o qual eu nunca passei até este momento.
“Algo de muito diferente está por vir, meu querido, o caminho não promete ser fácil, porém mesmo que você escolha trilhar por ele, ainda haverá outras escolhas imprescindíveis para determinar o destino que você está tecendo.”
Olho pra trás e vejo nitidamente todas conquistas, significativas ou não, posso ver os detalhes de todas as flores colhidas, os carinhos e afagos que ficaram desenhados nas árvores e pedras que encontrei durante a subida. Até então não havia imaginado poder chegar a este ponto da grande montanha, que desde pequeno Deus me apresentou por meio de minha família, em especial minhas três mães.
A primeira mãe, aquela que me gerou, pode me ensinar que é muito importante o trabalho, que para conseguir subir eu teria de deixar marcas e um pouco de mim. Que a montanha me marcaria e eu marcaria a montanha. O meu suor e muitas vezes os arranhões e feridas, serviriam de preço para que eu pudesse seguir adiante, demonstrando a sábia montanha que mesmo frágil, seriam estes sinais que provariam a valentia e coragem necessária para seguir viagem.
Minha segunda mãe me apresentou outro amigo, um que poderia me acompanhar em cada pequena ou imensa jornada. Que me daria boas estratégias para viajar melhor, riria comigo, me ouviria quando estivesse triste.  Ofereceria-me seu ombro para poder descansar quando a bagagem estivesse pesada. Disse-me minha segunda mãe, que até mesmo me carregaria no colo quando estivesse exausto de caminhar. E o mais importante: NUNCA me abandonaria!
“Seja um bom menino”, Foram sempre as palavras de minha terceira mãe.  Sua experiência eu sempre pude ler em cada expressão doce de seu rosto, cada fio de cabelo que já não tinha a mesma vitalidade que minhas outras mães têm. Em cada ensinamento e gesto por ela feitos, revelava a beleza que perdurou por toda sua subida, e que agora os passava a mim. Por meio do trabalho, e com meu grande Amigo minha bagagem já era muito boa para seguir viagem, mas é claro que a experiência veio a ser o grande diferencial para trilhar, escalar, esta grande subida. Ela me ensinou que o amor, acima de tudo me daria forças necessárias para caminha serenamente, podendo visualizar cada pequeno detalhe no decorrer de cada passo.  Sentir o sol a me aquecer, e ao invés de murmurar o calor, agradecer pelo sorriso desta estrela, que após dias chuvosos e frios, fez-se presente novamente em minha vida.
“Meu filho, é sempre o amor. Esta beleza pode ser encontrada em cada momento difícil. A dor pode ser facilmente revertida em uma pedra de apoio para que você possa ir mais alto. Não desanime caso seus pés estejam machucados, pois estas marcas servirão de lembrete para que desvieis da próxima pedra, e sirva de exemplo para os próximos que você encontrar pelo caminho”
Foi com estas bagagens que iniciei minha caminhada, e até hoje sempre na companhia destas perfeitas mães. Encontrei muitos amigos, que fizeram a caminhada parecer uma aventura. Caminhos que percorríamos em que o sol parecia estar radiante, e os lindos pássaros a voar enfeitavam o céu tornando o ambiente cada vez mais agradável de contemplar. Houve dias em que o calor de nossa amizade era o único aliado para nos aliviar do frio que deparávamos a nossa frente.
Estas foram lembranças que calmamente aquela amiga ao meu lado, me fazia relembrar. E com os olhos atentos a minha decisão, ele me entregou uma pequena vela, com a chama já acesa.
“Por algum tempo você não conseguirá ver muito o seu caminho, esta lâmpada será pra você uma boa amiga. Lembre-se que importante para você não ter acidentes graves, é melhor que você caminhe devagar, um passo por vez.”
Ao me entregar a vela, pergunto-lhe se as pessoas que até aqui seguiram comigo, poderiam me ajudar a trilhar este novo caminho.
Com um gesto, ela me diz que terei de seguir sozinho por um tempo.
E é neste instante, em que aquele aperto na garganta aparece. Um grito teve seu pedido negado pelas lágrimas que agora passeavam pelo meu rosto.
Porém um sorriso apareceu em meio às faixas daquela figura misteriosa, um gesto que até então não havia visto nesta nova amiga. 
“As bagagens pode seguir contigo, e no momento certo, todos vocês estarão juntos novamente”, revelou.
Antes de começar a caminhar, vi as três mães, meus irmãos, e os amigos que fizeram da trilha um caminho menos doloroso. Com carinho enorme e um sorriso, ofereci meu amor a eles. Foi possível após cada abraço, deixar um pedaço de mim mesmo a cada um deles, e ainda assim ter o suficiente deles para seguir adiante.
“Até mais tarde”, foi o que disse.
Uma nova jornada se inicia, e a bagagem às costas e a vela na mão, são os únicos objetos que posso ver. Tudo a minha volta parece estar escuro, e aquele vela pequena e frágil me ajuda a ver poucos metros a minha frente. Olho pra trás e as imagens vão se distanciando e misturando-se a escuridão.
O medo e a insegurança tomam conta do meu coração, e infelizmente sinto um pesar ao caminhar. Porém posso ouvir que as vozes de meus amados ainda continuam a me seguir, e em certo momento me relembro da companhia inseparável que ao meu lado está. Silencioso.  Seu andar é calmo, por isso senti sua presença quando a dor silenciou em meu peito, no mesmo momento em que senti sua mão segurar a minha.

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